quinta-feira, maio 29, 2008

O fim do capitulo!..Mais um fim!!!

Então veio o silêncio. Chegou bruscamente, como se tivesse apenas esbarrado de modo teatral por ali. E o vazio, a solidão daquele momento foram insuportáveis. Todas as certezas racionais que eu já tivera tinham se dissipado. Estava sozinha. Estava sozinha. Era pior que a culpa, a mágoa e talvez fosse o que... não, eu não podia pensar. Deitada na nova colcha de cetim branco, busquei uma completa escuridão de corpo e alma. Expulsando todos os pensamentos. Que a noite fos¬se, uma vez pelo menos, o teto lá em cima e, além dele, um céu puro e tran¬qüilo, com estrelas inexpressivas, meramente fora de alcance. Mas foi tão impossível deter a mente quanto a própria respiração. Estava aterrada pelo fato de meu fantasma ter ido embora. Eu o enxo¬tara! Chorei, fungando e limpando o nariz. Achava apavorante que nunca mais pudesse encontrá-lo (nunca, nunca, nunca mais), que ele tivesse ido embora tão irremediavelmente como vão os vivos, que eu tivesse lançado no vento um tesouro tão assombroso! Oh, Deus, não, não assim, não, deixe-o voltar. Compreendo, sempre compreendi que tenha ficado com os outros para guardá-los para todo o sempre, mas ele é apenas um fantasma, meu Deus. Deixe-o voltar para mim... Senti que afundava para além do nível das lágrimas e dos sonhos. E então... o que posso dizer? O que sabemos quando sabemos e nada sentimos? Se ao menos acordássemos desses estados de esquecimento com um certo senso de que não existe absolutamente qualquer mistério na vida, que a crueldade é puramente impessoal, mas não é assim. Por algumas horas, isso não haveria de me preocupar. Adormeci. É tudo que sei. Adormeci, afastando-me o mais que podia de todos os medos e perdas, agarrada a uma prece desesperada. "Deixe-o voltar, meu Deus." Ah, a blasfêmia disso.

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